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O Regresso do Rafeiro à Planície

 

 

 

 

 

A ACRA - Associação do Rafeiro do Alentejo organizará com o apoio do Município local no próximo dia 18 de Outubro, por ocasião da tradicional Feira de Castro, um desfile/concurso cinófilo e etnográfico relacionado com a raça canina portuguesa Rafeiro do Alentejo.

A tal acção deverá ser atribuído o epíteto de "O Regresso do Rafeiro à Planície".

Apresentados por antigos pastores da região, trajando vestes alegóricas da época, os molossos da planície "transtagana" serão observados por técnicos altamente qualificados para o desempenho de tais funções - Prof. José Manuel Abreu e Eng. José Abreu Alpoim.

Um possível paralelismo ou um provável afastamento verificado na fenótipicidade e funcionalidade destes cães ao longo dos últimos 50 anos, serão temas certamente abordados, comentados e esclarecidos pelos ilustres cinólogos.

A componente pedagogia do "Regresso do Rafeiro ao Alentejo", sairá assim também fortemente valorizada.

Durante a permanência dos exemplares expostos no ringue serão convidados a emitir a sua opinião, antigos pastores/camponeses do mundo rural Alentejano.

Prevendo-se um dia em que a afluência do pública seja bastante significativa, julgamos oportuno e sobretudo mais funcional fazer anteceder o desfile etnográfico do Rafeiro do Alentejo de uma representação hípica de cavaleiros (e se possível também de amazonas) da Região.

 

"O RAFEIRO VAI À ESCOLA"

 

Numa perspectiva de sensibilizar igualmente as camadas mais jovens  da população (Jardins escolas e 1º ciclo) estão previstas varias acções pedagógicas a realizar em diversos estabelecimentos escolares do concelho.

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"O Retorno"

 

 

 

Vem do tempo dos tempos, vá-se lá saber exactamente desde quando, a ida, em altura do ano certa/necessária, dos grandes rebanhos de ovinos para as pastagens da planície do campo branco, ainda antes da criação da grande feira franca do sul. A  Feira de Castro, datada, ao que sabemos, do final da década de trinta do século XVII. 

Desde sempre, a deslocação destes enormes rebanhos implicou toda uma estrutura, composta pelos donos e seus serventuários mais próximos, bem como os meios de apoio, os pastores, os ajudas e os cães, sem os quais era impossível uma movimentação adequada. Tudo isto se acentuando/aperfeiçoando quando passou a ter também a componente comercial. 

 É fácil de imaginar o quão espantoso era de ver todo este aparato, onde se distinguiam os “operacionais”. Isto é, o pastor, os ajudas (falamos de crianças, ou próximo disso), os pequenos cães de rebanho, e o(s) guarda(s). Aqui falamos do grande e calmo Rafeiro do Alentejo e do seu porte seguro de majestosa nobreza. 

É evidente que tudo mudou, começando pelas razões e acabando nos resultados, passando, naturalmente, pelos meios utilizados. 

Obviamente que, também, esta raça canina foi afectada pela evolução dos tempos. Segundo uns num sentido e o seu inverso no ver de outros.

 

Uma coisa é certa/indiscutível, a partir de certa altura, não fora a decidida acção da ACRA -  Associação de Criadores do Rafeiro do Alentejo e hoje, certamente, não estaríamos debitando aqui estas palavras.  

Este ano o Rafeiro do Alentejo terá um importante papel na Feira de Castro, embora diferente e visando, para além da sua sobrevivência, o retorno às planícies da “ Pátria Alentejana”. 

Não diz o povo que o bom filho à casa torna !?.... Que sejas bem-vindo.

 

 

Luís Jordão

Outubro/2009 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

... "em tempos agitava anualmente o comércio do campo branco. Os gentios da Vila e de outros lugares e montes, bastas léguas em redor, tinham nela o tempo do provimento de coisas e loisas. Terminado o estio, era a muda do ano agrícola. Era a altura de aviar necessidades para mais uma volta inteira no calendário rural. De seguida era o momento de, com as primeiras chuvas, meter a o bico da charrua à terra removendo-a para receber a semente.

 
Ainda é a grande feira franca do sul. Ainda atrai os sobejos de um certo imaginário camponês. Nos antigos – como na transtagânea é costume dizer dos mais velhos – ainda tem um sentido de cordão umbilical dos tempos. Dos tempos do pelico, dos chapéus pretos abeirões, das botas de atanado, dos capotes aguadeiros, dos largos guarda-chuvas azuis que davam guarida não só ao pastor como ao rafeiro. Do grão de bico e do feijão a granel. Das alfaias e restante ocharia para as tarefas agrícolas. Do cante cavado fundo que abandonava as gargantas dos homens e traçava a melodiosa comunhão da festa. Do vinho para regar as goelas e das comedias para guarnecer o estômago. Sonhava-se com a festa e dela se guardavam lembranças até ao ano seguinte. Era a minguada regalia de prazer para as gentes do campo branco..."

 

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“O Rafeiro do Alentejo…”

 

O Rafeiro do Alentejo para alem de constituir orgulho e vaidade de todos os que o conhecem e sabem valorizar o nosso Património, representa uma peça genuína e emblemática do mundo rural alentejano.

Pela majestosa e tranquila dignidade que o caracteriza é indissociável da vasta planície, das suas gentes, dos seus costumes e das suas tradições.

 

 

José Abreu Alpoim

Criador da Raça

 

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O Regresso do Rafeiro à Planície

 

 

Um regresso é de certa maneira; mas um regresso de quem daqui sempre fez parte e de quem dos corações desta gente nunca saiu.

 

Porque o Rafeiro do Alentejo nunca abandonou quem dele teve necessidade para olhar pelo seu gado, para guardar a sua propriedade, para proteger os seus bens.

O Rafeiro do Alentejo é pois um amigo.

E como Amizade só com Amizade pode ser paga, é chegada a hora de ser o Homem a retribui-la.

 

 Este cão que sempre se avistou nos campos do Alentejo, adaptando ao longo dos tempos conformação e carácter que lhe permitiu ter desempenhado tais funções, bem o merece.

 

 

 

Carlos D´Orey

Outubro/2009

 

   

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