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EVARISTO CUTILEIRO Homenagem em Évora
Foi em 27 de Junho de 2009 que os amigos e sócios da ACRA (Associação de Criadores do Rafeiro do Alentejo) homenagearam o Evaristo Cutileiro durante o almoço que teve lugar, depois do Concurso realizado em Évora.
Mais do que esta homenagem, merecedíssima, o Evaristo será sempre um marco nestas planícies, onde os homens pastores usam casacos de pele de ovelha com o garbo de verdadeiros embaixadores, como escreveu o grande Miguel Torga, um dia nos seus “Diários”. Duas “raças” que não queremos nunca ver extintas: o Rafeiro do Alentejo e o Evaristo e a sua prole. Só Homens como tu, que se dedicam a defender causas nobres, nunca serão esquecidos, e ficarão na memória dos vindouros. Com o mesmo valor com que batias as palmas a um toiro e o abraçavas pelo pescoço, agarraste esta “empreitada” de reabilitares um patrimônio genético que estava em perigo. Foste, uma vez mais, um Homem, com H grande. Um abraço forte, amigo Evaristo.
António José Zuzarte Dezembro de 2009
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Pois é o tempo passa...
O associativismo dava os primeiros passos no nosso país, em novos moldes, mais participado e não dirigista, pretendiam uns, acreditavam quase todos. Surgiu um Clube de Raça, com objectivos dignos, ideias justas e exequíveis. Teve o seu papel no início da recuperação de uma raça que alguns julgavam extinta. Mas o associativismo não era afinal tão participado, o dirigismo persistia e quando não há colaboração de todos...tempos menos bons toldam o horizonte...
Surge a ACRA. Logo se distingue no combate por ideais e defesa dos objectivos. O caminho não era fácil e estava lamacento, escorregadio, senão minado. Foi um trabalho persistente, sofrido, de convencimento das gentes e de demonstração a quem não acreditava (ou a quem não convinha acreditar), que era possível fazer mais e melhor e sobretudo de maneira diferente. Alguns sonharam, acreditaram e pela evidência fizeram acreditar...e a obra aí está. 15 anos de muito empenho, de muita perseverança, de muitas vitórias e algumas derrotas, de ideias novas, de experiências em marcha, sem dúvida de alguns erros ou caminhos menos adequados...Mas que seria do mundo se todos pensassem da mesma maneira??? Morria o debate, morriam as ideias, sem ideias não havia obra, sem obra não haveria futuro, sem futuro não há decerto vida.... Os homens e mulheres da ACRA souberam acreditar, souberam tentar, souberam fazer...Com mais ou menos dirigismo dirão alguns?! Mas ele tinha de existir, pois se houvesse participação real de todos os interessados, ele não seria tão necessário e quiçá menos energias alguns dispensariam, ao trabalhar em prol de todos...
Um primeiro concurso, irá correr bem? Há cães? Há patrocínios??? Vem o segundo, o terceiro, uma explosão de concursos por todo este Alentejo imenso que não há terra transtagana que não queira ter uma mostra de cães alentejanos...
E meus amigos, sem quase alguns darem por isso – o Concurso n.º 150 aí está... O centésimo quinquagésimo. Já viram bem? Cabe aqui e agora, perguntar: Que seria desta tão nobre raça autóctone, de forte presença regional, hoje de novo presente na larga maioria dos montes e rebanhos, mas também com implementação nacional e a despertar o interesse internacional... Que seria dela sem os apaixonados do Rafeiro, sem os criadores, sem os Concursos, sem a ACRA? Trabalho de mérito sem dúvida. Mas trabalho de responsabilidade, que respeita e honra o passado mas que exige futuro. Uma raça autóctone não é nunca uma entidade fixa, imutável, segura, conservada...Isso é nos museus. Será válido para a Torre de Belém ou o templo de Diana. Se quisermos desmanchá-los e montá-los noutro lado é fácil...Basta numerar as pedras...Mas atenção isso é património importante, sem dúvida, mas morto....
Cuidados pois senhores do Estado. A vossa missão passa também por aqui.
Por isso, honra à ACRA e aos seus responsáveis ao longo dos 15 anos...
Mas também exigência de maior empenho e dedicação associativa às gentes do Rafeiro Alentejano... Jorge RodriguesDezembro de 2009 |
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